terça-feira, 7 de junho de 2016

TENTATIVAS








Sigo apagando d’alma os teus resquícios,
esperançoso, enfim, de te esquecer.
Tento apagar as sobras, desperdícios,
pra não correr os riscos de te ver.

O vento traz-me, sem o meu querer,
qual fosse em voz, murmúrios e bulícios;
traz-me os queixumes, traz-me os teus suplícios
e traz-me a ânsia toda do sofrer...

Já não sei se é possível meu intento,
pois que te vejo aqui, sempre que tento,
E quase em desespero eu perco a calma.

A cada tentativa pra esquecer-te,
tu me apareces, como que num flerte,
e, incauto, eu cedo e entrego-te minh’alma!

domingo, 5 de junho de 2016

...O TEMPO GANHOU


A saudade da infância
que guardo dentro de mim
parece não ter mais fim
o tempo quis por empenho!
O ontem vem-me sereno,
a fervilhar na memória,
e as peças da minha história
se juntam num grande engenho!

Por vezes, eu me pergunto
por que saudade entristece...?
Garanto que, se eu soubesse,
teria, sim, dado um jeito;
pois, digo-lhes com firmeza,
da minha infância querida
saudade eu trago incontida,
guardada dentro do peito!

Às vezes, olho pro longe,
a me sentir um menino;
olho pro céu, sol a pino,
e empino o meu papagaio...
o vento vem como outrora,
e eu penso, como em criança,
quando esbanjava esperança,
sob o azul de um céu de maio:

Um dia, quando eu crescer,
tornando-me então adulto,
quem sabe, um jurisconsulto,
ganharei qualquer porfia!
Pois essa o tempo ganhou...
levou-me o tempo-criança
e em troca, deu-me de herança
um dom... que é o da poesia!

Confesso queria mais;
queria ser astronauta;
tornei-me um mero internauta,
das letras cultivador...
Lá nos tempos de criança,
brincava com os aviões,
estradas e caminhões...
na bola fui jogador!

Agora, ficando velho
e o tempo em velocidade,
no rosto rola a saudade
molhando e caindo ao chão!
...........................................
Peço perdão do que errei
se a alguém causei dissabores;
e a quem me amou, mando flores
...de dentro do coração!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

TEUS VERSOS


Os versos que de ti me vejo a ler
                               invadem-me sutis em mil nuanças,
                               percorrem meus sentidos feito tranças
                               e enroscam-se perdidos no meu ser.

                               Evolam-se depois sem eu saber,
                               levando aqui de mim velhas lembranças,
                               que um dia perfuraram-me quais lanças...
                               Teus versos reconduzem meu viver...

                               Da vida toda essência há nos escritos,
                               a ponto de arrancar de mim meus gritos,
                               há tempos nas entranhas arraigados!

                               São versos que acomodo aqui no peito
                               − pois sempre eu os lerei, qual um preceito −
                               e ao fim, darei ao mundo em meus legados!

                                 

quarta-feira, 2 de março de 2016

BURRINHA TAGARELA


A burrinha tagarela
Vivia a tagarelar!
Um dia foi pra janela
Viu a sombra que era dela
No muro se projetar!
Deu a volta pela porta
Dobrou-se até ficar torta
Levantou a sobrancelha
Pôs as butucas de esguelha
E danou-se a imaginar!...

Que bicho seria aquele
Que de repente sumiu?!
Estava olhando pra ele
Decifrando a cara dele
E o bicho de lá fugiu!!!
A burrinha ficou brava
Voltou lá pra onde estava
Debruçou-se na janela...
O bicho voltou pra ela
...E ela nunca descobriu!

sábado, 27 de fevereiro de 2016

LINDA ESTRELA (em homenagem)


Achei-te ali, tão linda e tão fagueira!
Teus olhos de esmeralda, cintilantes,
fizeram-me entrever, por uns instantes,
a alvura da tu’alma... pura... inteira!

Tocar-te inda pensei, seria asneira;
estávamos ali, mas bem distantes...
eu, pasmo, ante teus olhos tão brilhantes,
e tu a mais serena e verdadeira!

De súbito, me vi tão pequenino,
como era nas histórias que, menino,
ouvia pra dormir... até bem tarde...

Lembrei que havia no céu u’a linda estrela,
que eu sempre, da janela, ia vê-la...
hoje de novo a vi, Bruna Lombardi...!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

RECORDAÇÕES


O vento soprou forte em nossas vidas,
baniu de nós o tédio e a solidão;
de quebra, trouxe o cheiro do sertão,
nas rosas e nas flores bem nascidas!

Caminhos e veredas retorcidas
traçaram nossos rumos desde então,
qual teias desenhadas, bem urdidas,
tecidas no tear do nosso chão!

O mundo era tão grande e nem sabíamos
dos ramos espalhados, pois não víamos
um palmo além de nossos corações!

O tempo foi passando e nós não vimos...
Morreram rosas, flores, nossos mimos...
Sobraram para nós... recordações...!