sexta-feira, 13 de setembro de 2019

COISAS DAQUELE TEMPO (Ó minha Barra do Corda)
















Deixo aqui nesse papel
Momentos de um tempo antigo 
Histórias que vêm comigo 
Que não consigo esquecer 
São coisas lá da infância 
Que ficaram na distância... 
Mas... 'recordar é viver': 

Em um pedaço de arame 
Dobrado qual fosse um L 
Com cuidado à flor da pele 
Colocava uma espoleta 
Detonava atrás de alguém 
Disfarçava, olhava além 
E voava igual cometa! 

Jogava bola na ilha 
Nadava no rio Corda... 
Hoje a lembrança recorda 
Com vontade de voltar! 
Infância livre e sadia 
Deus me deu e eu nem sabia 
Que um dia iria se acabar! 

Nos cipós das gameleiras 
Que havia na beira do rio 
Em ato dito bravio 
Eu pulava lá no meio... 
Igual um peixe nadava 
Era a vida que eu amava 
Sem medo, dor, sem receio! 

Uma roda e um arame 
Uma bola, um desafio 
A correnteza do rio 
O empinar de um papagaio 
Faziam parte da vida 
Graças a Deus bem vivida 
Todo o ano, maio a maio! 

Meus carros tinham estradas
No quintal da minha casa
Trapézios e voo sem asa
Lá no quintal da vovó!
Papel de bala era ingresso
Nosso circo era um sucesso
...A Vilma era o meu xodó!

Com flecha acertava as mangas
Quase sempre de primeira
Tijolinhos em caieira
Pra carregar caminhão
Pilhas usadas ‘tambores’
Meus caminhões tinham cores
Nas estradas do meu chão...

Havia índios nas ruas
As índias com curumim
(Eu cresci num meio assim)
Eram do grupo Canela.
Eu passava pela rua
Via índia seminua
...Ficava olhando pra ela!

A casa do Olímpio Cruz
Tinha uma calçada alta
E eu ˗ já menino peralta ˗
Ia pra ver índia passar...
Disfarçava na calçada
Vez por outra, uma olhada
Ninguém ia desconfiar!

Montei no lombo do tempo
Que me levou mundo a fora
Disse adeus e fui-me embora
Pra longe daquela terra
Mas... a memória é tamanha
Por onde vou me acompanha
E quase sempre não erra! 

Ah tempo bom... hoje eu sei
Vivia como queria
Na inocência e na alegria
Rodeado de amizades...
Já não vejo essas pessoas
E aquelas horas tão boas
Deixaram-me só saudades...

Não falo mal desse tempo 
Mas louvo o meu tempo antigo 
Que até se fez meu amigo 
E me levou de roldão! 
Hoje lembro com um sorriso 
E digo: Quando preciso 
Eu tenho o tempo na mão!

Aqui ˗ mesmo aposentado ˗
Vivo em meio aos afazeres. 
A vida dá-nos prazeres 
Que podemos desfrutar! 
...Cabe-nos fazer o bem 
Ajudar, não ver a quem, 
Por fim... amar e amar! 
..................................
Ó minha Barra do Corda
Um dia lá vou voltar
Vou no rio me banhar
Pisar de novo esse chão
Por enquanto é na lembrança
Que volto a ser a criança
Que te tem no coração!

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ERA MÊS DE AGOSTO










Soprava o vento frio da saudade,
enquanto eu me entregava ao pensamento...
A folha da janela, qual lamento,
rangia a completar a soledade!

Assim, passou-se o tempo e, sem piedade,
de mim foi-me extirpando, sem unguento,
pedaço por pedaço inda sangrento
do que chamei um dia mocidade!

Os sons, o cheiro, a voz que me encantava,
os risos e as carícias que me dava
o tempo me tirara... por suposto...

Prostrado ali fiquei, diante de mim,
qual livro cuja história não tem fim
...até passar mais um... mais um agosto!


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A FORÇA INTRÍNSECA DO AMOR












Achei-te no meu sonho dessa noite;
estavas sorridente e bem fagueira!
Trajavas uma folha de parreira...
(não posso nem lembrar, sem que eu me afoite!)

A falta que me fazes é um açoite
e o sonho dessa noite, uma lareira
a me queimar por dentro a noite inteira,
e a me querer em ti noutro pernoite!

...................................................
...Pois quando o dia raiou, pintei-te em tela!
Pintei-te usando as tintas da aquarela...
e usei-as com carinho e devoção!

U’a força em mim brotou no pensamento,
capaz de ver a tela − em movimento!
...E te tornaste viva – em minha mão!

sexta-feira, 13 de julho de 2018

SIMBIOSE















Ao ver cair a tarde no horizonte,
relembro-te sentada lá na areia,
naquela praia, olhando a maré cheia,
e vendo o céu unir-se ao mar... defronte!

Sujaste o jeans de areia, a mão, a fronte,
mas nada preocupava-te, alheia...
Ficamos contemplando uma hora... ou meia!
Formávamos um par... um par simbionte!

Então veio u’a lufada traiçoeira,
jogou-nos − nau sem rumo − ante a pedreira,
e nós 'ao deus-dará', ao 'deus-querer' !

............................................................
Mas... se hoje eu te procuro no universo,
prometo-te − nas letras do meu verso −
em algum por do sol... eu vou te ver!

terça-feira, 10 de julho de 2018

TROFÉU





















Cantei nas madrugadas ao luar
os versos mais românticos que havia!
Cantei ao violão a nostalgia,
tentando os corações fazer sonhar...

As notas dedilhadas a tocar
perderam-se no ar, já sem magia;
a rua onde eu cantava está vazia...
a Lua é o que restou do meu cantar!

O tempo − agora ingrato e sorrateiro −
levou de mim meu dom de cancioneiro,
qual folhas... nalgum vento de monção!

Não vi... o tempo foi mui de repente!
Deixou-me um violão inconsequente,
que hoje... é meu Troféu Recordação!

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A PEQUENEZ DA DOR HUMANA












A vida pulsa em mundos por aí,
na imensidão do cosmos, no distante;
renasce em novos corpos, cada instante!
− A obra divinal não cessa aqui!

A pequenez da dor em mim e em ti
se um dia foi-nos forte, lancinante,
é nada ante o universo tão gigante...
a mim, já nem me lembro se a senti!

Viemos aprender aqui na Terra
− que é escola a corrigir quem muito erra −
e aprende mais quem ama e dá perdão!

..........................................................
− Tão ínfimos nós somos no universo,
que mal nos vemos dentro deste verso,
que logo será nada... ali no chão!


segunda-feira, 14 de maio de 2018

LANÇAMENTO adiado para depois da Copa do Mundo












LANÇAMENTO adiado no Brasil, para depois da Copa do Mundo, devido à greve dos caminhoneiros!!!


HORÁRIO: De  
                                               c/a presença do autor

LOCAL: Choperia ZERO GRAU com show do músico Nill Resende! 

Endereço: Rua Marcílio Dias, 165 (próx. col. Salesiano), Jardim Jalisco - Resende-RJ

                   *  DÊ UM LIVRO A QUEM VOCÊ GOSTA!  *



sábado, 28 de abril de 2018

PRESSÁGIO: A Paz será renascida!




















− Moço, eu moro aqui nos longes...
em um rincão dessa terra.
Moro em frente a um riacho
que corre no pé da serra!

−Tá vendo aquela casinha
pintada de azul e branco,
grama verde e um jardim,
manacá, ipê e um banco?

− Pois é ali onde eu moro!
Eu já morei na cidade.
Tem recurso, tem dinheiro,
mas falta a tranquilidade.

− Aqui, eu pesco um peixinho,
tenho a horta... a plantação...
troquei o mundo lá fora
pela paz no coração!

− Viver sereno, seu moço,
ajuda a viver o pleno,
que é deixar fluir a vida
de um modo puro e ameno!
  
− Mas não fique triste não,
não pode mais piorar;
a consciência do povo
vai vencer, vai melhorar!

− Quando houver respeito mútuo,
quando houver honestidade,
quando o amor prevalecer
no seio da humanidade,

quando toda a juventude
receber educação
e a nossa sociedade
banir toda a corrupção,

tudo será como aqui:
Água limpa... ar puro... e vida!
Não mais haverá maldade
....................................
...e a paz será renascida!


sexta-feira, 9 de março de 2018

PEDAÇOS DE NÓS DOIS

















Por onde você anda?... Há tempos não a vejo...
Aquela foto antiga está descolorindo;
Tornou-se agora tênue imagem, se esvaindo...
Já não reflete o brilho do que foi desejo...

Por onde andam teus pés, fugindo do meu beijo?...
E o teu olhar sutil, discreto, me seguindo?
O teu pensar ao meu igual... coincidindo...
Onde andam tuas mãos que eu já não mais manejo?...

Parece que tua sombra ainda anda por perto,
Mas já não é o oásis desse meu deserto...
Não há mais o jardim... nem flores... nem botões...

Veio uma tempestade forte que assolou
E abriu u’a fenda enorme e em mágoas enterrou
Pedaços de nós dois e nossos corações...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O BOM SAPATEIRO é artista e é lenda














Sentado e encurvado, martelo e torquês,
a fôrma no colo e a peça de couro,
cuidada com esmero qual fosse de ouro,
tachinha entre os lábios, prega uma por vez...

Por fim, ao calçado ele dá altivez,
trazendo a certeza do lucro vindouro!
...O bom sapateiro ainda pole o tesouro,
deixando-o ao gosto de cada freguês!

A indústria chegou assumindo o seu posto!
Fez muitos calçados de bom e mau gosto,
fez lotes e lotes janeiro a janeiro,

ditou tantas modas a seu bel-prazer!
........................................................
Mas... é viva a lenda! Que bom lhes dizer!
− A arte é o alento do bom sapateiro!

sábado, 27 de janeiro de 2018

TECELÃO, um artista milenar


















O fuso faz linha de fino algodão,
que ganha outra vida com bela aparência,
tecida em teares de antiga existência,
urdida por arte do bom tecelão!

Já pronto o tecido, uma bela criação,
deslumbra a quem vê e constata a excelência,
ganhando o mercado, se expondo em balcão,
a ricos e nobres de muita influência...!

Os louros devidos, a estima, o apreço
ficaram sem vulto, por baixo de um preço,
que as mãos calejadas, jamais contarão!

As horas e os dias de tantos labores
serão relembrados, talvez, por atores
de humildes papéis... como o de um tecelão!...


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O VELHO FERREIRO (soneto hendecassílabo)


Na forja o ferreiro moldava o metal,
saído do fole qual brasa inda ardente,
e ali na bigorna, martelo e avental,
criava o perfil que brotava da mente!

O humilde artesão, foi figura presente
num tempo longínquo beirando o feudal,
perdendo-se em luta cruel, desigual,
rendendo-se à indústria voraz e inclemente!

Lembranças ficaram da forja e do fole,
do ferro ainda em brasa fazendo-se mole
e o velho ferreiro empunhando o martelo...

.............................................................
Aqui vos relembro, em singela oblação,
a espada e o escudo, a couraça e o brasão
− forjados num tempo sem mais paralelo!...



quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

LUME ACESO














E segue o nosso barco... até o adeus!
Vai cheio de bagagens tão diversas,
levando os versos meus, levando os seus,
guardando de nós todas as conversas!

Bem lá, juntam-se as coisas mais dispersas,
até velhos poemas... como os meus...
e as rezas pelas almas dos ateus,
que insistem nas antíteses perversas!

O rio abre seus braços – majestoso –
e abraça de roldão o que ele encontra...
− Proteja, pois, seu barco e o deixe ileso!

O leme, entregue-o a Deus, que é Poderoso;
e saiba: Venceremos qualquer contra,
enquanto a nossa fé for lume aceso!

sábado, 18 de novembro de 2017

VOYAGER - A Nave Terrestre













Nave feita de sonhos em etéreas lidas
singrando o infinito num vagar intenso
vai  deslumbrando a ótica de um mundo denso
vai desbravando o incógnito de tantas vidas

Sonhos de apelo incerto, de duras medidas
pintando um ponto móvel no Universo imenso!
Os nossos sons gravados são mãos estendidas,
pacíficas criaturas bafejando incenso!

Nave de sonhos feita, porta-voz da Terra,
silente e elegante a tua missão encerra
o perscrutar do homem ante a Natureza!

Se alguém lá tu encontrares, diz que somos gente,
que estamos progredindo, mas inda há indigentes...
E que, apesar de tudo... A Terra é uma Beleza!

sábado, 11 de novembro de 2017

"OVELHA TOSQUIADA"













Jurei não me meter mais em política!
...Mas vejo o povo não politizado;
e o povo que é assim... é comandado;
não posso me omitir de fazer crítica!

É hora de fazermos autocrítica;
mister se faz cortar o que há de errado;
há muito senador e deputado,
em horda sanguessuga e paralítica!

− Reduzam-se os salários dos políticos −
pois, pelos resultados analíticos,
mais ganham, mais usurpam o poder!

Quem paga esse salário é quem trabalha,
é o povo que labuta por migalha;
...e é “ovelha tosquiada” até morrer!



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O TEMPO NÃO VOLTA















De ti não guardo mágoa nem rancor;
se guardo alguma coisa é só lembrança,
aqui e ali lembrada em cada andança...
O tempo inda me presta esse favor!

As flores que plantaste inda têm cor,
as folhas têm o verde da esperança,  
os frutos saborosos, mais pujança
− assim como dizias − mais sabor!

O tempo corrigiu com maestria
os erros cometidos algum dia,
sem nunca perguntar-me o que eu achava!
...........................................................
Erramos, por capricho ou desengano,
talvez precipitados, por engano...
...Ainda quando o barco navegava...!

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

DESABAFO NA VOLTA
















Brasil chorado em terras tão distantes!
...Vi olhos puxadinhos no oriente,
um povo organizado, muita gente!
Vi todos os sorrisos nos semblantes!

Eu vi os beijos quentes dos amantes,
bem longe, no país do sol-nascente;
vi gueixas em quimonos, fui presente
nas noites luminosas e vibrantes!

.....................................................
Pasmei!... Todas as coisas bem cuidadas,
as ruas, os transportes, as calçadas!
Sofri... xinguei... lembrando o meu país,

que − rico e sem tremores e tsunamis −
padece, nas infâmias dos infames
políticos sem alma... torpes... vis!...

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

À LUZ DIFUSA














Não via passar o tempo ali contigo,
enquanto no teu mar eu me banhava.
Prostrado, qual em jugo, sem castigo,
rendia-me ao teu desejo e mais te amava!

Tu eras desse amor a bela escrava,
na alcova que era, à noite, o meu abrigo,
bem longe da tormenta e do perigo,
bem onde o amor rugia e em nós calava!

Meu barco, que era o tempo, então passou...
alado, fez-se ao mar e ali pousou,
nas ondas desse mar onde eu velejo!
 ............................................................
Assim, foi tudo um sonho à luz difusa;
a vela transformou-se em tua blusa
...E, ao fim... tu me acordaste com teu beijo!