terça-feira, 1 de dezembro de 2015

CHEGA DE ABUSOS!

De tanto respirar o que é propina,
de ver a educação em decadência;
de tanto ouvir e ver a violência,
de ver o desrespeito em cada esquina,

louvores devo às aves de rapina,
que fazem luta por sobrevivência!
− Pior é o ser humano sem consciência,
que extorque, fere e mata qual rotina!

Não há como ficar sem fazer nada,
tentando se esquivar nessa empreitada,
enquanto a fraudulência ali campeia!

A força que nos guia é bem mais forte!
É árvore que nunca tomba ao corte,
princípio que nos move, nos norteia!


domingo, 29 de novembro de 2015

ANGOLA


Saúdo a ti, ó Luanda bela, Angola,
tu me cativas, mesmo tão distante!
Tu falas minha língua, a cada instante
e vibras como as cordas da viola!

Teu povo alegre encanta e te consola
nas danças e na música vibrante,
nas cores da bandeira tremulante,
altiva, lá no topo, em cada escola!

O verde que tu ostentas na floresta
faz parte do pulmão que ao mundo resta,
que, aos poucos, o homem mal quer destruir...

Teu povo é forte, eu sei, não foge à luta;
jamais sucumbirá à força bruta!
− Que grande sejas tu e teu porvir!

RATOS PALACIANOS


É triste ver ser humano
Ser 'feliz' por ser ladrão!
Viver à custa do engano,
Agir por baixo do pano,
Comprar votos na eleição...
É por demais desprezível,
É uma tristeza indizível...
Legislar em causa própria,
Ter uma conduta imprópria
E viver da corrupção!

Não lhe importa causar dano
Diz vir com ‘boa intenção’;
É rato palaciano,
Que rói e diz fazer plano
Para ajudar a nação!
Todos foram bem nascidos,
Mas talhados pra bandidos,
Cujo mal a mão semeia!
Só tem um jeito: Cadeia!
...Que cumpram lá na prisão!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

VELAS AO VENTO


Assim seguimos nós, velas ao vento,
singrando o azul dos mares na procela!
De proa içada, revoluta a vela,
a popa engata o leme ao nosso intento!

Qual velho marinheiro sigo atento,
cantando ao mar revolto e em capella!
A cada solavanco eu lembro dela,
que tento não lembrar − ao menos tento!

Distantes, já se foram as paragens,
por onde eu naveguei tantas viagens,
deixadas lá no fundo da memória...

Não sei se foram tantas as vantagens,
mas todas me deixaram suas imagens,
compondo a maior parte dessa história!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

LUA DE SONHOS E VIOLÕES


Tivemos tantos sonhos com a Lua...
Ao violão, fazíamos serenatas;
banhávamos nos rios e cascatas;
sentávamos a olhá-la em nossa rua!

Achávamos tão só onde flutua,
longe de todos nós, longe das matas...
Nossas ponderações eram sensatas,
mas hoje a realidade é nua e crua!

Há seres habitando-a (com bom gosto),
principalmente lá no lado oposto!
Há luzes, há pessoas, construções!...

Veja o que há no Mare Moscoviense!
Veja no Google Moon, dê zoom e pense!
...Sobraram-nos os sonhos e violões!...


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

SEM MÁGOAS



Põe tranca nos baús onde ainda há fráguas,
aborta os dissabores dessa vida!
Por nada vale a pena guardar mágoas,
pois tornará tua alma apodrecida!

Alegra-te da dor que foi banida!
Se vertem dos teus olhos tantas báguas,
não deixa que te afoguem tantas águas,
não faze da tua vida a mais sofrida!

Olhar ao derredor sempre faz bem!
Há sempre algo de bom que nos convém;
há muito o que aprender na multidão...

Sem mágoa a vida flui mais suavemente...
Apossa-te do bem que hoje é presente
...Faze bater de amor teu coração!

sábado, 26 de setembro de 2015

PERGAMINHO

São meus os versos teus, são teus os meus,
na imaculada face do papel,
hoje escultura amorfa de um cinzel,
feita de cinzas, cinzas de um adeus!

Trouxe-me o vento alguns dos versos teus
das cinzas e fumaças de farnel,
de arengas esquecidas, de aranzel
entre ilações de magos e de ateus...

Ao vento aqui chegaram do distante,
saídos de entre as frestas de uma estante,
os versos que escreveste no caminho!

O tempo na poeira fez um nicho,
guardou-os, deu-me agora por capricho,
na amarelada cor do pergaminho!...
           (Ineifran Varão)