domingo, 2 de junho de 2013

MUNDO QUE QUASE NÃO VEMOS


Esgueira-se entre os galhos e entre as folhas
Minúsculo existente ser do mundo!
Não há caminhos tantos (mas há escolhas),
Não poderá falhar por um segundo!

O inseto que labora em chão fecundo
Jamais reclamará do que tu colhas,
Jamais te impedirá que ali recolhas,
Pois nunca pisarás solo infecundo!

Esgueira-se entre as folhas e entre os galhos
O ser em luta plena pela vida!
Minúsculo, se afasta dos chocalhos,

Na chance mais u’a vez oferecida!
Não há na natureza os atos falhos...
Para dois pesos, há u’a só medida!

domingo, 26 de maio de 2013

ACASO


 Encontro-te ao acaso bem serena
E vejo-te calada a meditar...
Respiras sob a brisa que, do mar,
Repete-se ao sol-pôr da tarde amena!

Decifro, no teu gesto que me acena,
Candura que se mostra em teu olhar...
Afastas-te a sorrir em meio à cena,
Mas deixas da meada o seu fiar!

As tardes se repetem como dantes...
Do mar, ainda a soprar, a brisa mansa...
Em mim, meus pensamentos delirantes!

No morno pôr-do-sol que inda me alcança,
Tua imagem delineia-se em instantes
E vai serena... E vai minha esperança...

terça-feira, 21 de maio de 2013

ALMA CIGANA



Galga o cimo dos montes, altaneira,
Nos altiplanos lagos congelados...
Em voz cigana, canta a derradeira
Canção que faz ninar aos desolados!

Dos ramos cintilantes e orvalhados,
Desce em forma de gotas, e em fileira,
A lágrima cigana e tão brejeira,
Em meio a belos sons alinhavados...

Do lago, quais nenúfares, despontam
As flores encantadas da montanha,
Que há séculos e séculos remontam!

A alma cigana entoa, em voz tamanha,
Seus ais em tons de adeus que, enfim, se aprontam
Para adentrar à terra em sua entranha!



domingo, 12 de maio de 2013

MÃE, COROLÁRIO DA PAZ !



MÃE, COROLÁRIO DA PAZ!

Mãe...
Eu já não tenho aqui na Terra...
Ao mesmo tempo, eu tenho todas!
No céu são muitas,
Aqui são tantas...
E eu amo a todas!
São elas como um manto a nos cobrir
Nos momentos mais difíceis,
Como nos mais dóceis!
No frio mais tenebroso,
Como no calor mais abrasador!
Mãe, madre, mamãe, mamã,
Mom, mami... E tantos outros nomes,
Sinônimos de aconchego,
De segurança,
De carinho!
... E o mais puro corolário da paz!


segunda-feira, 6 de maio de 2013

A poesia é assim...


Ela está no sentir
e saber observar...
Tem sua forma no verso,   
ou direto ou transverso,
e é lançada ao universo,
ao nascer de um pensar!

Há poesia na escrita,
ou descrita no olhar,
como o azul desse céu,
como a bruma que, ao léu,
desfraldada qual véu,
cobre o lago a bailar!

A poesia é cantiga,
dela vê-se a leveza...
Qual u’a pétala clara,
ou uma dança caiçara,
ou a pepita mais rara...
Brinde da natureza!

A poesia vem d’alma
e em silêncio ela vem,
ao nascer com a gente!
Ela é força latente,
ordenada na mente,
que transcende ao além!

É consolo, é alívio,
É o reflexo do ser!
A poesia enobrece;
ela ao homem oferece
co’a candura da prece...
O mais limpo viver!



domingo, 21 de abril de 2013

Mágoas


Que tens tu afinal a me ofertar,
Se tudo de nós dois já me foi dado,
Se até nosso presente já é passado,
Que mais tenho eu de ti para esperar?

Não tens belas palavras pra falar...
Qualquer assunto em nós foi consumado...
Por que insistir em formas de atacar
A quem chamaste um dia teu amado?

Olha que o tempo escreve em tinta forte
As coisas que a memória não esquece...
Abre fissuras fundas, qual um corte,

E mais e mais a mágoa ali se aquece!
Há mágoas que não cessam nem co’a morte,
Das quais cada vez mais o amor fenece!...

ESPERANÇA, SEMPRE!



Da nata, a essência pura aqui retenho,
De tanto versejar em pensamentos!
Nas dores não me bastam mais unguentos,
Nem mais é meu pensar assim ferrenho...

Temos na vida um alvo a dar empenho,
Mesmo que, às vezes, porte sofrimentos...
Do âmago do ser, o nosso lenho
Refaz-se e vai curar os ferimentos!

Não basta ver o mundo só de um lado,
Se de outro lado estão vidas morrendo!
Feridos somos todos  ̶  nosso fado!

Do caule inda a resina está escorrendo...
Urgente, feche o corte que foi dado!
Assim, vai a esperança renascendo...