quarta-feira, 13 de novembro de 2013

FESTA NO PALÁCIO... À NAÇÃO, UM EPITÁFIO!


Parecem abelhas desgarradas,
Às voltas, atrás de algum zangão!
A música toca e anima a festa
E logo a manada desembesta!
Pudessem, teriam sinal na testa,
Quem sabe, ostentando algum bordão!
Lá fora há penetras nas calçadas,
Enquanto lá dentro, em gargalhadas,
Cada um comemora seu quinhão!

Os nós e arapucas engendradas
Espalham-se livres no salão!
São nós apertados em gravatas,
Que apertam papadas caricatas,
E afrouxam-se em goles e bravatas,
Enquanto há corruptos de plantão!
Venenos de cobras bem tratadas,
Em doses letais bem calculadas...
Aos poucos, matando uma nação!


Nota importante: Este estilo de poema é o novíssimo nonadiprimo, criado pela poetisa Luna Di Primo, num estilo clássico, contendo estrofes com nove versos de nove sílabas poéticas, distribuídas nas tônicas 2, 5 e 9, com rimas harmoniosamente distribuídas, o que proporciona ao poema, bem como a quem o lê ou escreve, um ritmo bem agradável, mesclado a uma bela sonoridade. Ganha a literatura brasileira mais um importante legado, que, temos certeza, será do agrado de todos que apreciam e/ou praticam a boa literatura.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

CANTIGA


Eu fiz uma canção pra minha amada
E dei-lhe numa noite de verão!
Cantei-a acompanhado ao violão,
Bem diante da janela envidraçada...

Do meu lugar cativo, na calçada,
Mandei-lhe no cantar meu coração;
Eu fiz naquela noite enluarada,
Pra ela, a minha mais bela canção!

Os anos se passaram tão depressa,
Mas o eco da canção segue sem pressa,
Do jeito que eu cantava – à moda antiga...

Se um dia ainda eu fizer uma promessa,
Terá a força do amor como tem essa...
E em versos cantarei, como em cantiga!

domingo, 3 de novembro de 2013

ANTONIETA e eu - Resenha de uma viagem (cordel)


ANTONIETA e eu – Resenha de uma viagem (cordel)

Das tantas coisas que eu vi
Algumas posso contar
Poucas um dia escrevi
Outras eu vou lhes falar
Viajar é muito bom
Cantar, dançar... Edredom...
Mas vou falar de dançar:

Pois um dia viajando
Por esse Brasil a fora
Acabei me deparando
Já no romper da aurora
Co’um vendaval de poeira
Que levantava rasteira
Saia de qualquer senhora

À medida que eu chegava
Mais perto do vendaval
Som de música escutava
Vindo de algum arraial
Mistura de cantoria
Com gritos de euforia
Algo bem descomunal

Seguindo aquela poeira
Cheguei a um lugarejo
Guiado pela zoeira
Do cantar de sertanejo
Me acheguei sem ser chamado
Mas fui bem recepcionado
Naquele grande festejo

Num chão de terra batida
Embaixo de uma latada
Numa chita colorida
Com renda em saia rodada
U’a moça rodopiava
Chega a saia levantava
Sob aplausos da moçada

O terreiro estava cheio
E a alegria era tanta
Que me arrisquei sem receio
Saber o nome da santa
‘A Pimenta Malagueta
Tem nome de Antonieta’
- Disse-me então um sacripanta

Realmente era verdade
Aquele grande alvoroço
Fez-me até sentir saudade
Dos tempos que eu era moço
Não perdi tempo e entrei
Com ela rodopiei
Que nem cachorro com osso

O povo fechou a roda
Aumentou a cantoria
Era que nem bode e boda
Bodando de alegria
Começou com o sol nascente
Continuou no poente
Foi até o outro dia

Lá pras tantas da manhã
Chegou o pai da donzela
Trouxe um padre e uma irmã
Uma cruz e uma vela
Mandou parar a festança
Pra celebrar a aliança
De um forasteiro com ela
  
Houve um silêncio total
Todo o povo emudeceu
Pois naquele arraial
Nunca aquilo aconteceu
Tocaram uma retreta
Pra casar Antonieta
Com outro cabra e não eu...

Bem de fininho eu saí
Marquei encontro com ela
Roubei a noiva e fugi
Pulando a sua janela
Nossos trens numa maleta
Fui casar com Antonieta
Numa pequena Capela

Passados hoje dez anos
Conto orgulhoso essa estória
Vivemos sem desenganos
Numa nova trajetória
Nove filhos e ela prenha
Essa é a nossa resenha
Vivida com muita glória!

domingo, 8 de setembro de 2013

SER POETA


Sou poeta e sou assim:
Sou livre por natureza!
Os versos dizem de mim,
Quase sempre com certeza!

No comércio não me vejo,
Que não seja pra comprar;
Vez por outra, num lampejo,
Vem-me um verso a visitar!

As coisas são-me sonoras...
Palavras belas me animam...
Rápido passam-me as horas,
Entre as palavras que rimam!

O feio fica bonito...
Depende do olhar que temos;
Imagine-se o infinito...
Sua extensão não sabemos!

De nós sabemos tão pouco...
Voemos, vamos voar,
Pois, de poeta e de louco,
Não se conhece o pensar!
  
Assim é, pois, o poeta;
É um cultor da liberdade!
Seus versos não têm dieta;
Em seu lugar... Têm saudade!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

OS CASAMENTOS DE JUSÉ CASADO


Dona meu nome é Jusé
Vi você passando ali...
Que nome é o dessa cidade?
- Mas ora pois, Jataí!

Respondi sem entender:
Dona, é que eu não sou daqui!
Ela falou: Que qui tem?
Eu já falei... Jataí!

Ai meu Deus... Eu to aqui
Mai to sem entender nada...
Mineira, muié arisca,
Disse: Gostei da cantada!

Logo veio o pai da moça,
Com espingarda no ombro...
Disse, moço eu faço gosto!
Se num casar vira escombro!

Olhei... A estrada de um lado...
Do outro uma rua vazia...
Falei, seu moço eu aceito
E vou casar cum sua fia!

Dali virei fazendeiro,
Com uma dúzia di fiis!
Meu sogro bom companheiro...
A sogra... Essa eu num quis!

Casei de novo na frente,
Quando cheguei noutro rancho
(Um cabra num quis casar
Foi pendurado num gancho)!

Falei, do gancho eu escapo
Porque a dona é bonita!
Era uma moça ajeitada,
Cheirosa, em roupa de chita!

Fui logo fazendo graça,
Convidando pra dançar...
O pai dela entrou na frente,
Disse: Vamo cunversar!

Eu, como bom nordestino,
Num tenho medo de faca!
Na bainha uma peixeira
Risca até couro de vaca!

 ̶  Minha filha é uma moça
Muito fina e bem prendada;
Eu lhe dou minha palavra
Que ela nunca foi casada!

Pensei comigo, e eu...?
Sou casado tantas vezes...
Algumas, as mais distantes,
Vejo de dois em dois meses...

Ganhei parte da fazenda,
Sem nem pegar no pesado,
Mais u’a donzela bonita
E mil cabeças de gado!

Fui depois casar com outra,
Quando mudei de cidade;
De Goiás a Araguari,
Casei com outra beldade!

Passei por Tupaciguara,
Já nas terras das Gerais,
Lá conheci Tonieta,
Mais braba que capataz!

Falei, Deus do céu me acuda,
Que a coisa vai ficar feia!
Fui somar quantas eu tinha,
Tinha mais de dúzia e meia!

Nossinhora, ela falou,
Sapassadeuvim aqui
Sei qui oncotava ocetava
Mai num vi oce ali...

Sas conversa, vixe... ah nem...
Meu negossss é namorá!
Quis conhecer a rival
Foi comigo a Itajubá.

Saimo no dia seguinte,
De lá fumo eu e ela...
Deixava ela ir na frente,
Pra oiá pra bunda dela!

Deixei ela em sua casa
E peguei de novo a estrada;
Casei de novo cum outra,
Sem saber que era casada!
  
O marido era valente,
Parente do Lampião!
Eu disse a ela, eu sou mais!
Faço esse aí lamber chão!

Casava um dia num lugar,
No outro, com outra muié!
Casei tanto até chegar
Lá na minha Jequié!

Lá juntei a muierada,
Que era pra comemorar...
Mas ganhei foi vassourada,
Até o galo cantar!

Minha intenção era boa...
Ia fazer era uma festa!
Mai ganhei tanta porrada...
Mai de dez galo na testa!

...................................
Casar com muita muié
Aprendi qui num dá certo!
Basta ter uma de fé
E meia dúzia por perto!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

LONGE


Senti tua falta quando a lua veio
E a relva enfeitiçada lhe saudou!
O orvalho sobre o verde se deitou
E eu vi que a lua tem o teu enleio...

Os raios que prateiam meu vagueio
Trazem-me tua lembrança que ficou,
Quando a mim vinhas solta e sem rodeio...
Aumentam minhas ânsias aonde vou!

Igual à lua, luzes em minh’alma,
A me trazer o bem da tua calma,
Mesmo que longe estejas tu, assim...

Não vejo, a olhar em volta, uma vivalma...
Só a lua ali tão branca, qual um talma,
A vigiar a dor dentro de mim!

domingo, 11 de agosto de 2013

AMOR E ÓDIO


Amor e ódio,
Velho episódio,
Que o tempo cala,
Anima e abala
... E ao tempo corta!

O ódio amarga
E aumenta a carga,
Que faz a vida
Desenxabida
... Nada lhe importa!

Sem ódio, o amor
É como a flor:
Bela e efusiva,
Enquanto viva!
... Triste, se morta!