quarta-feira, 11 de junho de 2014

MEGA SAUDADE


Como arrancar dos ares um suspiro,
quando nos vem de longe uma saudade...
não diz a hora e vem e nos invade
tão forte como a flecha ou como o tiro!

Um turbilhão de imagens faz um giro,
qual carrossel do parque da cidade,
e leva-nos da mente a algum retiro,
deixando-nos sem ar, sem liberdade...

Pensar e repensar, eis a questão,
é o que nos recomenda o coração,
no embalo da saudade a que se apega...

Saudoso, o coração suspira fundo
e vai, batendo forte, ao fim do mundo,
no rastro da saudade imensa... mega!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

ASSIM PERDI A BELA PATU

Conheci Bela Patu
Nas estradas dessa vida
Eu a chamava de ‘Tu’
Donzela bem resolvida
Mas um dia me atrapalhei...
Pra ela eu era um rei
Ela pra mim, mui querida!

Pensei escrever um verso
Pra chamar sua atenção
Quando vi já estava imerso
Em tremenda confusão:
Troquei as letras do tema
Que virou um outro fonema!
Espero ter seu perdão!

Troquei alhos por bugalhos
Zé Mané por Mané Zé
(Que estavam a descascar alhos
Na porta de Capilé)
Não teve jeito o remendo
Larguei tudo e fui correndo
Falar com dona Zezé.

Dona Zezé, boa mãe,
Elogiava sua filha
Mulherão desse ‘tamãe’
Mais que potranca, novilha!
Era a sogra que eu queria
Mas perdi naquele dia...
Deixou de ser maravilha!

Cheguei lá de mão vazia
De cabelo arrepiado
Meu estômago co’azia
E o corpo todo suado
Ela perguntou o que foi
E eu mal respondi um oi
Tava todo atrapalhado,

Pois era boa a intenção
(Que acabou sendo farjuta)
De praticar boa ação
Apesar de tanta luta:
Inverti o nome da filha
̶  Daquela bela novilha  ̶
Que, de Patu virou Puta!


segunda-feira, 19 de maio de 2014

...TEM MUITO É QUE APRENDER!


Conheço um tal Zé do Bode
Ceva bode pra vender
Seu primo vender não pode
Pois tem muito que aprender!

Se aprender é sua sina
Seu primo vai ficar culto
Zé do Bode só vacina
Quando o cabrito é adulto!

Pega o cabritinho novo
Ceva até ele crescer
E cai na boca do povo
Ele, o Zé, tem que aprender!

Seu primo diz que é insulto
Inculto permanecer
Zé não quer nem ver seu vulto
Que é pra não se aborrecer.

Vivem os dois a arengar
Sem dar o braço a torcer.
Um tem muito pra ensinar
Mas não pode se meter! 

̶  Que tua boca tu não abras
Pra língua não derreter!
Vai cuidar das tuas cabras
Que do leite eu vou beber!

Como os dois, tem muita gente
A fazer e acontecer;
Diz que sabe muito e mente,
...Mas tem muito é que aprender!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

E.T. VEIO AVISAR!


A jassanã ciscadeira
Que ciscava entre os gravetos
Era uma boa poedeira
Jamais cantada em sonetos
De repente ela encontrou
Tesouro que alguém deixou
̶  Guardados obsoletos...

Foi ciscando, foi ciscando,
Cobriu de novo o tesouro
Seu ninho foi arrumando
Pro período porvindouro
Deixaria naquele nicho
Preparado com capricho
O seu produto vindouro

Mas um dia veio a chuva
Chuva forte em aguaceiro
Molhou ninho de saúva
Dizimou um formigueiro
Fez rego na terra inteira
Mas jassanã poedeira
Continuou no terreiro
  
Com trabalho e paciência
Ajeitou de novo o ninho
Tomou nova providência
Ciscou qual fosse um ancinho
Sua unha abriu o tesouro
Um vaso cheio de ouro
Com um velho pergaminho!

A jassanã, com cuidado,
Leu tudo o que estava escrito
Pôs um ovo ali do lado
Como então lhe fora dito
Viu do céu aparecer
Uma luz, e ali descer
E.T. vindo do infinito!

Contou ele à jassanã
Que viera povoar
Como a sua Canaã
A terra onde iria morar
Disse-lhe que a natureza
Com toda sua riqueza
Estava para acabar
  
Que era urgente a união
De toda espécie e tamanho
De animais em extinção
Formando um grande rebanho
Que ao humano caberia
Com sua sabedoria
Deixar de ser tão tacanho

Respeitar e ser honesto
Ajudar a seu irmão
Ser mais simples e modesto
Ter amor no coração
Cuidar bem da sua Terra
Eliminar toda guerra
Toda espécie de extinção

Pois o homem a si destrói
Com descaso à natureza
Um mal que cresce e corrói
Pondo abaixo sua grandeza
Burrice que é tragicômica
Como a tal da bomba atômica
Que só nos causa tristeza!

A jassanã ciscadeira
Olhou triste para o E.T.
Lembrou da família inteira
(Incluindo eu e você)
Pôs outro ovo e o guardou
E dali vaticinou:
Não voto mais no PT!

O E.T. deixou a mensagem
E então pegou seu cantil
Foi de paragem (em) paragem
Em sua missão mui gentil
Pedindo aos que são ateus
Que se voltem para Deus
Se querem bem ao Brasil!

A jassanã bateu asas
Voou daquele sertão
Visitando muitas casas
E fez daquilo u’a missão:
̶  ‘Vamos salvar o planeta,
Antes que aqui se cometa
A autodestruição!’

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O VOTO de GARIBALDO


Garibaldo jogou limpo
No bilhete premiado
Sonhou que estava no olimpo
Acordou, ficou frustrado...
Garibaldo não dá trégua
A cabra ‘fii duma égua’
Que é trapaceiro e safado!

Mas, venderam-lhe a ilusão,
Em um discurso eremítico.
Garibaldo um homem ‘bão’
Quase ficou paralítico!
Trabalhou a vida inteira,
Vitimou-lhe a lisonjeira
Promessa de um político!

Garibaldo vendeu tudo,
Só ficou com uma porquinha;
Vendeu gado, vendeu roça,
Vendeu granja de galinha,
Conversou com um E.T.
Para ajudar ao PT
Que ajudaria a Varginha!
  
Levantou mundos e fundos,
Pra ajudar uns “companheiro”...
Políticos vagabundos
Levaram-lhe seu dinheiro!
.....................................
No Brasil de Garibaldo
O povo não tem respaldo
̶  Vota em burro... o lisonjeiro!


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Parênteses para uma crônica: NOSSAS LIVRARIAS


Realmente é triste e espantoso. Há poucos dias, atendendo ao impulso quase vício de entrar em livrarias, perguntei a uma vendedora pela estante de literatura brasileira, pois, o que se via eram letreiros como literatura estrangeira, autoajuda, administração, esotéricos, idiomas, etc., menos o que eu procurava.
Não havia um letreiro literatura brasileira ou nacional, muito menos de poesia. A gentil vendedora mostrou-me, em uma gôndola, dizendo: Aqui, senhor, na parte de baixo. Perguntei-lhe pelos livros de poesia, ao que ela respondeu ‘Ah, poesia? Olha, só temos esses aqui’. Havia alguns livros de Ferreira Gullar e de Fernando Pessoa, misturados a uma miscelânea de romances e contos em português, de autores já consagrados. Como de outras vezes, senti-me imerso numa banheira de gelo, até cair na real.
Caí na real, mesmo às vésperas de completar uma dúzia de livros publicados sob demanda. Esse tipo, o de pequenas tiragens, ainda é o mais acessível. Por outro lado, essas editoras não têm a penetração que as tradicionalmente famosas têm. A venda é difícil, temos que ir a campo, no porta-a-porta, como vendedores de cocada, que arrecadam bem mais nas campanhas de quermesses. Esses têm a boca adoçada pelo açúcar queimado das cocadas... Nós... A  boca amarga pelas palavras de tristeza e revolta contra a ganância das grandes editoras, que estão aí para fazer dinheiro. Elas crescem na razão direta da ignorância e do desinteresse dos chamados agentes culturais. Hoje, quando se lê uma coluna de Cultura, se lê notícias de shows musicais, teatro, dança, lançamento de algum romance ou ficção, que fazem parte da cultura dos povos, mas, nem sombra do que venha a ser poesia. Um jornal conceituado do Rio estampa em uma página Prosa e Verso. É um colunista que escreve. De verso, nem o reverso.
A poesia pode estar em tudo que vemos, para nós poetas. Para os não poetas, ela é ‘jurássica’. Ela só aparece nas letras de algumas... De algumas músicas... A poesia está perdendo a contemporaneidade. A maioria das pessoas não sonha, fornica; não ama, fica; não olha nos olhos, olha no display que não sai da palma da mão; o belo não está nos versos de um livro, mas nos gadgets do isolamento físico, nos relacionamentos virtuais e nos jogos onde a máquina é o competidor! O poeta está se tornando poeta de si próprio. Eu sou um deles e, assim, continuarei a escrever poesias, ainda que para mim, e quando não mais puder escrever, pensarei poesia, pois ela nos leva por caminhos onde os transeuntes são a brisa, a água da chuva, a natureza e o canto da cotovia.

domingo, 26 de janeiro de 2014

MUITOS POVOS, UMA NAÇÃO!


Das tribos de Tapuias e Canelas
Ouve-se o som que ecoa na floresta!
É o chamamento uníssono pra festa,
No chão batido à luz de mil estrelas!

Juntam-se curumins e índias tão belas,
Pintados de urucum dos pés à testa!
Em volta, índios guerreiros, sentinelas,
Guardiões do patrimônio que lhes resta!

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Ao índio só lhes basta a natureza!
Que seja preservada essa riqueza
Com mais entendimento e união!

Que os povos que povoam nossa terra
Não deixem que se perca o que ela encerra...
Que sejam todos Um – Uma Nação!