quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O VOTO de GARIBALDO


Garibaldo jogou limpo
No bilhete premiado
Sonhou que estava no olimpo
Acordou, ficou frustrado...
Garibaldo não dá trégua
A cabra ‘fii duma égua’
Que é trapaceiro e safado!

Mas, venderam-lhe a ilusão,
Em um discurso eremítico.
Garibaldo um homem ‘bão’
Quase ficou paralítico!
Trabalhou a vida inteira,
Vitimou-lhe a lisonjeira
Promessa de um político!

Garibaldo vendeu tudo,
Só ficou com uma porquinha;
Vendeu gado, vendeu roça,
Vendeu granja de galinha,
Conversou com um E.T.
Para ajudar ao PT
Que ajudaria a Varginha!
  
Levantou mundos e fundos,
Pra ajudar uns “companheiro”...
Políticos vagabundos
Levaram-lhe seu dinheiro!
.....................................
No Brasil de Garibaldo
O povo não tem respaldo
̶  Vota em burro... o lisonjeiro!


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Parênteses para uma crônica: NOSSAS LIVRARIAS


Realmente é triste e espantoso. Há poucos dias, atendendo ao impulso quase vício de entrar em livrarias, perguntei a uma vendedora pela estante de literatura brasileira, pois, o que se via eram letreiros como literatura estrangeira, autoajuda, administração, esotéricos, idiomas, etc., menos o que eu procurava.
Não havia um letreiro literatura brasileira ou nacional, muito menos de poesia. A gentil vendedora mostrou-me, em uma gôndola, dizendo: Aqui, senhor, na parte de baixo. Perguntei-lhe pelos livros de poesia, ao que ela respondeu ‘Ah, poesia? Olha, só temos esses aqui’. Havia alguns livros de Ferreira Gullar e de Fernando Pessoa, misturados a uma miscelânea de romances e contos em português, de autores já consagrados. Como de outras vezes, senti-me imerso numa banheira de gelo, até cair na real.
Caí na real, mesmo às vésperas de completar uma dúzia de livros publicados sob demanda. Esse tipo, o de pequenas tiragens, ainda é o mais acessível. Por outro lado, essas editoras não têm a penetração que as tradicionalmente famosas têm. A venda é difícil, temos que ir a campo, no porta-a-porta, como vendedores de cocada, que arrecadam bem mais nas campanhas de quermesses. Esses têm a boca adoçada pelo açúcar queimado das cocadas... Nós... A  boca amarga pelas palavras de tristeza e revolta contra a ganância das grandes editoras, que estão aí para fazer dinheiro. Elas crescem na razão direta da ignorância e do desinteresse dos chamados agentes culturais. Hoje, quando se lê uma coluna de Cultura, se lê notícias de shows musicais, teatro, dança, lançamento de algum romance ou ficção, que fazem parte da cultura dos povos, mas, nem sombra do que venha a ser poesia. Um jornal conceituado do Rio estampa em uma página Prosa e Verso. É um colunista que escreve. De verso, nem o reverso.
A poesia pode estar em tudo que vemos, para nós poetas. Para os não poetas, ela é ‘jurássica’. Ela só aparece nas letras de algumas... De algumas músicas... A poesia está perdendo a contemporaneidade. A maioria das pessoas não sonha, fornica; não ama, fica; não olha nos olhos, olha no display que não sai da palma da mão; o belo não está nos versos de um livro, mas nos gadgets do isolamento físico, nos relacionamentos virtuais e nos jogos onde a máquina é o competidor! O poeta está se tornando poeta de si próprio. Eu sou um deles e, assim, continuarei a escrever poesias, ainda que para mim, e quando não mais puder escrever, pensarei poesia, pois ela nos leva por caminhos onde os transeuntes são a brisa, a água da chuva, a natureza e o canto da cotovia.

domingo, 26 de janeiro de 2014

MUITOS POVOS, UMA NAÇÃO!


Das tribos de Tapuias e Canelas
Ouve-se o som que ecoa na floresta!
É o chamamento uníssono pra festa,
No chão batido à luz de mil estrelas!

Juntam-se curumins e índias tão belas,
Pintados de urucum dos pés à testa!
Em volta, índios guerreiros, sentinelas,
Guardiões do patrimônio que lhes resta!

..........................................................
Ao índio só lhes basta a natureza!
Que seja preservada essa riqueza
Com mais entendimento e união!

Que os povos que povoam nossa terra
Não deixem que se perca o que ela encerra...
Que sejam todos Um – Uma Nação!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

FESTA NO PALÁCIO... À NAÇÃO, UM EPITÁFIO!


Parecem abelhas desgarradas,
Às voltas, atrás de algum zangão!
A música toca e anima a festa
E logo a manada desembesta!
Pudessem, teriam sinal na testa,
Quem sabe, ostentando algum bordão!
Lá fora há penetras nas calçadas,
Enquanto lá dentro, em gargalhadas,
Cada um comemora seu quinhão!

Os nós e arapucas engendradas
Espalham-se livres no salão!
São nós apertados em gravatas,
Que apertam papadas caricatas,
E afrouxam-se em goles e bravatas,
Enquanto há corruptos de plantão!
Venenos de cobras bem tratadas,
Em doses letais bem calculadas...
Aos poucos, matando uma nação!


Nota importante: Este estilo de poema é o novíssimo nonadiprimo, criado pela poetisa Luna Di Primo, num estilo clássico, contendo estrofes com nove versos de nove sílabas poéticas, distribuídas nas tônicas 2, 5 e 9, com rimas harmoniosamente distribuídas, o que proporciona ao poema, bem como a quem o lê ou escreve, um ritmo bem agradável, mesclado a uma bela sonoridade. Ganha a literatura brasileira mais um importante legado, que, temos certeza, será do agrado de todos que apreciam e/ou praticam a boa literatura.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

CANTIGA


Eu fiz uma canção pra minha amada
E dei-lhe numa noite de verão!
Cantei-a acompanhado ao violão,
Bem diante da janela envidraçada...

Do meu lugar cativo, na calçada,
Mandei-lhe no cantar meu coração;
Eu fiz naquela noite enluarada,
Pra ela, a minha mais bela canção!

Os anos se passaram tão depressa,
Mas o eco da canção segue sem pressa,
Do jeito que eu cantava – à moda antiga...

Se um dia ainda eu fizer uma promessa,
Terá a força do amor como tem essa...
E em versos cantarei, como em cantiga!

domingo, 3 de novembro de 2013

ANTONIETA e eu - Resenha de uma viagem (cordel)


ANTONIETA e eu – Resenha de uma viagem (cordel)

Das tantas coisas que eu vi
Algumas posso contar
Poucas um dia escrevi
Outras eu vou lhes falar
Viajar é muito bom
Cantar, dançar... Edredom...
Mas vou falar de dançar:

Pois um dia viajando
Por esse Brasil a fora
Acabei me deparando
Já no romper da aurora
Co’um vendaval de poeira
Que levantava rasteira
Saia de qualquer senhora

À medida que eu chegava
Mais perto do vendaval
Som de música escutava
Vindo de algum arraial
Mistura de cantoria
Com gritos de euforia
Algo bem descomunal

Seguindo aquela poeira
Cheguei a um lugarejo
Guiado pela zoeira
Do cantar de sertanejo
Me acheguei sem ser chamado
Mas fui bem recepcionado
Naquele grande festejo

Num chão de terra batida
Embaixo de uma latada
Numa chita colorida
Com renda em saia rodada
U’a moça rodopiava
Chega a saia levantava
Sob aplausos da moçada

O terreiro estava cheio
E a alegria era tanta
Que me arrisquei sem receio
Saber o nome da santa
‘A Pimenta Malagueta
Tem nome de Antonieta’
- Disse-me então um sacripanta

Realmente era verdade
Aquele grande alvoroço
Fez-me até sentir saudade
Dos tempos que eu era moço
Não perdi tempo e entrei
Com ela rodopiei
Que nem cachorro com osso

O povo fechou a roda
Aumentou a cantoria
Era que nem bode e boda
Bodando de alegria
Começou com o sol nascente
Continuou no poente
Foi até o outro dia

Lá pras tantas da manhã
Chegou o pai da donzela
Trouxe um padre e uma irmã
Uma cruz e uma vela
Mandou parar a festança
Pra celebrar a aliança
De um forasteiro com ela
  
Houve um silêncio total
Todo o povo emudeceu
Pois naquele arraial
Nunca aquilo aconteceu
Tocaram uma retreta
Pra casar Antonieta
Com outro cabra e não eu...

Bem de fininho eu saí
Marquei encontro com ela
Roubei a noiva e fugi
Pulando a sua janela
Nossos trens numa maleta
Fui casar com Antonieta
Numa pequena Capela

Passados hoje dez anos
Conto orgulhoso essa estória
Vivemos sem desenganos
Numa nova trajetória
Nove filhos e ela prenha
Essa é a nossa resenha
Vivida com muita glória!

domingo, 8 de setembro de 2013

SER POETA


Sou poeta e sou assim:
Sou livre por natureza!
Os versos dizem de mim,
Quase sempre com certeza!

No comércio não me vejo,
Que não seja pra comprar;
Vez por outra, num lampejo,
Vem-me um verso a visitar!

As coisas são-me sonoras...
Palavras belas me animam...
Rápido passam-me as horas,
Entre as palavras que rimam!

O feio fica bonito...
Depende do olhar que temos;
Imagine-se o infinito...
Sua extensão não sabemos!

De nós sabemos tão pouco...
Voemos, vamos voar,
Pois, de poeta e de louco,
Não se conhece o pensar!
  
Assim é, pois, o poeta;
É um cultor da liberdade!
Seus versos não têm dieta;
Em seu lugar... Têm saudade!