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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O LAMENTO DE UM BRASILEIRO


− Seu moço, eu morava ali...
Tinha perto do caminho
Um riozinho limpinho,
Que dava pra ver o fundo!
Eu via os peixes nadando,
Subindo na correnteza,
Via em volta a natureza,
Coisa mais linda do mundo!

A estrada feita de terra
Pra carro de boi passar
Ornamentava o lugar,
Nas voltas que o rio dava...
Dois sulcos, mato no meio,
Flor do campo e vassourinha,
Areia fina e branquinha
Era o que a vista alcançava!

Aqui e ali u’a casinha,
Entre a folhagem da mata;
Era uma vida pacata,
Onde a paz fazia morada...
Tanto tempo e inda me lembro...
Ali sentia-me seguro,
Sem cerca, arame e sem muro,
Na paz do rio e da estrada!

De vez em quando, as pessoas
Passavam cumprimentando,
Iam pela estrada, andando...
Carro mesmo, só o de boi;
Mas o tempo foi passando,
Dando lugar à certeza
De que nem mesmo a beleza
Seria o que um dia foi!

O riacho ficou sujo,
Os peixes todos sumiram;
Por fim, as árvores viram
A debandada das aves...
Chegaram as motosserras,
Os algozes, os vilões,
Tratores e caminhões,
A transitar sem entraves!

............................................
− Fez u’a pausa aquele homem
Que contava a sua história
Guardada em sua memória.
Acocorou-se e chorou...
De onde estava acocorado,
Levantou-se, olhou pro céu
Pôs na cabeça o chapéu,
Partiu... E não mais voltou...

Lamento de um brasileiro,
Voz embargada ao falar,
Que viu seu sonho acabar
Mutilando a sua vida!
Suas lágrimas davam conta
De tanta dor e impotência,
Da via sacra e ‘sofrência’,
De uma esperança perdida!

Tudo em nome de um progresso
Suspeito e manipulado!
Por trás, um patrão letrado,
Com mandato e posição!
− Os pobres perderam tudo!
De ninguém chegou apoio;
Sem a roça, a terra, o arroio
.....................................
Morreram na precisão!