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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ALGUNS MINUTOS EM BRASÍLIA


De tanto ver falcatruas
estampadas nos jornais,
passei a olhar pelas ruas
só manchetes, nada mais!

Foi assim que vi num muro,
num muro de bela casa,
pintada em grafite escuro,
uma gaivota − sem asa!

Gaivota com rosto humano?
Essa eu juro, nunca vi!
Mistura de pena e pano
dentucinha quando ri!

Parei então para olhar...
Bem pintado era o grafite
que eu tive que elogiar!
(Não me pediram palpite)

Pousada em frente ao Congresso
fazia cocô de onde estava!
Um guarda barrava o acesso
pra não sujar quem passava!

Não me aguentei, dei risada!
Um cara, de longe, filma
e grita: Achou engraçada?
− Ela é a minha amiga Dilma!

Pensou que eu fosse tucano
o pobre do mequetrefe...
Respondi: É um engano
− eu não falei em Roussef!

Mais à frente ouvi a alcunha
de um político – em voz alta:
Você é amigo do Cunha?
É menos um, não faz falta!

Quando eu dobrei a esquina,
deparei-me com o Miguel.
Gritei: Segue a tua sina!
(Pensei que fosse o Michel)

Perambular por Brasília
é tropeçar no escuro;
é andar a pé sem ter trilha,
se arriscar sem ter seguro!

Vi sapo engolindo cobra
olhos voltados pra mim;
sujeira, então, vi de sobra,
quadra e mais quadra sem fim;

vagabundo em belos ternos,
nariz pra cima, gravata;
roubalheira dos infernos,
falácia e muita bravata!

Apesar da arquitetura
do belo plano piloto,
fez parte dessa aventura
ver tanto rato de esgoto!

Vi até o ex-presidente,
que diz não saber de nada,
beber pinga sorridente
depois cuspir na calçada!

Mas também há coisa boa
− o lago Paranoá!
Peixe grande ri à toa...
− povo não se banha lá!

Pena!... Há tanta coisa errada
e o povo segue iludido...
E além de levar porrada,
se não votar, tá perdido!