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segunda-feira, 30 de abril de 2012

CAVALO FERIDO (Galope à beira-mar)













Sofreu meu cavalo um golpe na pata!
Bateu a tristeza, talvez decepção...
Levou-lhe a certeza, deixou ilusão...
Tal dor magoada já aos poucos lhe mata!
Que venha o milagre que tudo arrebata
Curar meu cavalo, ajudá-lo a andar!
Talvez haja tempo de tudo salvar,
Pois quero levá-lo às plagas serenas,
Quem sabe sentir o cheirar de açucenas,
Poder galopar lá na beira do mar...

Ferida essa pata, ele sofre calado...
Não foi ensinado ao relincho da dor...
Foi sempre treinado ao perfume da flor!
Agora seu dorso não está mais selado...
Eu torço pra vê-lo de vez bem curado,
Ser quase como antes, poder galopar,
Sem dores, mazelas, sem medo de andar,
Sentir-se outra vez destemido e feliz,
Das matas às praias sentir o matiz
... Poder galopar lá na beira do mar!

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domingo, 29 de abril de 2012

LEALDADE













Por onde eu busco a paz, vejo teu rosto,
Onde eu busco alegria, tu estás!
No fino paladar, és o meu gosto,
No meu futuro, sempre, tu estarás!

Se penso em ser feliz, também serás...
E sou feliz contigo, rosto a rosto,
Pois onde o amor existe, sem desgosto,
Verão que estás comigo e tu o verás!

Vem, deita a face tua no meu peito,
Deixa que eu beije o colo em que me deito,
Faze desse momento a eternidade...

Contempla a natureza, ela é a verdade,
A coroar o amor que em nosso leito
Nos cobre com sublime lealdade!

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OS SULCOS DO TEMPO













Nostálgicas seqüelas tu nos deixas,
Nos sulcos desenhados nessas faces...
Resquícios de disputas ou de queixas,
Augúrios de tristonhos desenlaces

Que, um dia, foram sim, belos enlaces...
Tingiste das madonas as madeixas,
Tiraste, ó tempo, o brilho até das gueixas,
Nos teus passos tão céleres, voraces...

Pois vai, ó tempo, corre... Eu vou seguindo...
Prepara o meu caminho onde tu fores,
Enquanto o desenlace está dormindo...

Nos sulcos desta face não há dores...
Dores que um dia houve estão sumindo!
Ficaram sulcos feitos só de amores!...

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

PASSEIO – Das matas à beira do mar, em um Galope à beira-mar













Olhei para a estrada que leva pra longe,
Juntei minhas tralhas, peguei meu cantil,
Selei meu cavalo, amigo gentil,
Botei-lhe o arreio, presente de um monge,
Peguei sua ração, milho bom que ele ronge,
Partimos os dois – amizade sem par...
Por matas e rios, a brisa a saudar,
Rumamos em trilhas até o litoral,
Banhamos nas águas com gosto de sal,
Depois de um galope na beira do mar!

Eu vi meu país com suas lindas paisagens,
Imensas campinas, florestas, cascatas,
Planícies, colinas e o verde das matas!
Ao sol, o vapor desenhava miragens,
As flores sorriam em belas ramagens...
Vi tanta beleza que embarga o falar!
Ao leste, o convite do mar a encantar
E a fauna e a flora e a terra e a areia
E um povo que colhe o amor que semeia
... Galopa e passeia na beira do mar!

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

DOCE TRAVESSURA


No calor do aconchego,
Afago-te suavemente...
Com carinho, peço arrego
E te amo novamente...
No perfume da tua flor,
Embriago-me de amor
E no quente desse ardor,
Deixo em ti minha semente!

Depois, juntos descansamos,
Entre afagos de ternura...
Nossos sonhos realizamos,
Nesse clima de aventura...
Nesse leito de carinho,
Mais afago... Outro beijinho...
Aconchego-me em teu ninho,
Na mais doce travessura!

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

SEM PERDÃO


Indaga deste mundo tão complexo
O ser humano ávido de tudo!
Ao indagar de si... Fica perplexo,
Isola-se por trás de algum escudo!

Engravida de ouvido, sem um estudo,
Dá crédito tão fácil num reflexo!
O não avaliar lhe rouba o nexo,
Não vê um palmo... Cala-se qual mudo!

Persuadido e longe da razão,
Proliferando vai, sem um sentido,
No risco de trilhar na contramão!

Engana-se esse humano tão perdido,
Incauto humano, pelo mal vencido,
Em seu julgar falível, sem perdão!

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

DAMA DA NOITE












Nasce da noite a flor que é uma dama,
Perfuma com perfume que é de flor!
Não goza dos prazeres que há na cama,
Mas sabe, com certeza, o que é o amor!

Enleva os olhos meus com seu candor,
Enquanto pende, suave, numa rama...
Perfuma, qual a amada quando chama,
Para seu aconchego de calor!

Deslumbra os mais insípidos humanos,
Em vidas tão mesquinhas, desenganos...
E dá-lhes seu odor tão benfazejo...

– Dama da noite, sara os meus enganos!
Adorna, com brandura o meu desejo
... Quero viver contigo muitos anos!...

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sábado, 7 de abril de 2012

RESSOA O GRITO ROUCO












Brame em voz rouca o grito amedrontado, ao corte,
Na voz que ecoa longe, além dos quatro cantos,
Ao tilintar do ferro em braço muito forte
E a natureza chora em tantos, tantos prantos...

O homem pouco a pouco avança, mata encantos...
Ressoa o grito rouco, estremecendo o norte,
É lá que, dessa vez, o desespero e a morte
Vão rasgando da terra os velhos verdes mantos!

Quando parar com isso? Alguém me diga agora...
Não há mais compromisso ao replantio afora,
Graças à impunidade, impera a destruição!

Pede socorro a mata... A lei sempre demora...
Cresce a descrença com nosso país lá fora...
Morre aqui dentro em nós nosso próprio pulmão!

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

MEU PÉ DE ALFENAS













Cerrou da vida as pálpebras serenas,
Após o respirar de muitos anos...
Beijou-lhe o odor alvíneo das alfenas,
Secou, perdeu a seiva em desenganos...

As pálpebras? Suas folhas sem enganos,
Que nos traziam sombras, vida, apenas...
Fosse nas tardes quentes ou amenas,
Entregues ao desprezo dos humanos!

Cerrou da vida as pálpebras cansadas
O meu pé de alfenas mais antigo,
Deixando alfenas brancas espalhadas...

Pediu que o homem fosse mais amigo,
Banisse os assassinos e as queimadas
... Nunca mais houve sombra... Nem abrigo...

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TRÁGICO AMOR















De dentro da coxia assobiava,
Com dois dedos na boca, de euforia;
A multidão, silente, procurava
A origem da estranha sinfonia!

Ali continuava, na coxia,
Um solitário olhar que não piscava...
Era a primeira vez que ele avistava
A fada, a ninfa, a deusa... não sabia...

De súbito, uma luz clareia, em foco,
Aponta denunciante, vil, ‘in loco’,
Calando o assobio, sem perdão...

Do palco, a fada, ninfa, deusa... implora,
Corre ao pretenso amor morto lá fora
E arranca-lhe do peito o coração!...

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

IMPIEDADE












No imenso verde onde essa vista alcança,
Descansa o olhar embevecido e crente...
E ao contemplar a natureza à frente,
Inda mais crente o meu sentido avança!

A natureza, divinal presente,
Também ressente-se, na sua pujança,
Da iminente destruição que lança
O homem vil que não parece gente!

Segue o furor arrasador, insano,
Que por ganância cometeu o engano
Ao destruir o que ele não plantou...

O imenso verde chora a cada ano
A impiedade desse ser humano,
Que aqui na terra bem depois chegou!

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