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domingo, 23 de dezembro de 2012

"EU QUERO É ME ARRUMAR"



Famoso?  Não é bem assim. Mas quem não gosta de ser cultuado, ser seguido (não perseguido), ser ouvido, ser comentado pelas coisas positivas? Muitos o querem até pelas coisas negativas.

A mídia às vezes comenta quando morre um poeta, de quem o  povo pouco ou nunca ouviu falar, mas o poeta era conhecido dos meios culturais ou jornalísticos. Por que não o divulgaram em vida? Morreu, acabou para quem morre!
Se lêem o que escrevo, comentem enquanto eu puder ler ou ouvir, por favor.

Há que se dar lugar público aos que ocupam os jornais e televisões (a mídia, em geral), por seus crimes leves ou hediondos, mas há também que se dar lugar público – em vida – àqueles que mourejam para, se tiverem sorte, hibernarem nas  prateleiras, após gastar seu precioso tempo escrevendo coisas que vão encantar somente aos que são “do tempo da poesia”, do romantismo, da boa sátira... Aos olhos da mídia, não representam lucro financeiro – são sonhos, dizem eles. Por isso, dormem nas prateleiras da vida, enquanto a ganância e a ignorância, que andam de mãos dadas, campeiam nos bastidores bolorentos da ambição financeira.

O castigo tarda, mas não falha: Vejam que as livrarias e editoras estão em campanha, buscando uma fatia do mercado digital, que é incipiente, mas já assusta a eles, por venderem mais barato suas publicações.

Por que os livreiros não barateiam os preços para novos escritores e poetas que locupletam a internet com suas publicações, muitos dos quais dignos de figurar entre os chamados famosos? 
Agora, os livreiros, em desespero, trabalham nas estratégias de como invadir o mercado eletrônico! 
Tenha santa paciência, caro leitor, que país é esse, que dito pela boca de alguns, é rico em cultura? Esses, quando falam em cultura, referem-se à música, TV e teatro (este último, nas grandes cidades)! 
A cultura que vem do livro, está hibernando, nas prateleiras, pois o povo pensa duas vezes antes de meter a mão no bolso, por uma coisa que pensam não ser do seu tempo, senão estaria na mídia; poesia para essas pessoas é sonho e fantasia. Mas, saibam elas, ela mexe com o emocional de forma lúdica e bela, muitas vezes com resultados terapêuticos alentadores. Mas, a mídia não destaca isso. 
O mundo moderno parece conspirar contra o poeta. 
Vá a uma livraria e tente comprar um livro de poesia, em média, custando 30 reais. Pergunte ao vendedor se ele sabe quanto o autor ou autora está ganhando naquele livro (claro, ele não sabe, talvez nem os gerentes o saibam); é vergonhoso dizer, pasmem: Talvez uns 3,00! Isso mesmo, 10% em relação ao preço de capa! O restante é embolsado por editores e distribuidores... Um absurdo! 
O lucro do livreiro é intocável.   
Agora, desesperados, querem impor regras aos editores eletrônicos, como elevar os preços das publicações digitais e a de publicar, eletronicamente, somente depois de um prazo – e esse prazo gira em torno de um ano após a publicação impressa – para que, nesse período, possam ter seus lucros garantidos, sempre à custa de quem “queimou pestanas”, como diziam nossos avós, do tempo da lamparina. 
Para onde vai a cultura deste País? 
Pergunte a um livreiro e ele, certamente, como o deputado Justo Veríssimo, do saudoso Chico Anísio, pensará consigo mesmo: “Eu quero é me arrumar”, e dirá que o custo é alto por causa do maquinário e da mão de obra. E seguem pensando: “eu quero é me arrumar”!