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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AS CURVAS DO CAMINHO (glosa)


























Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

Caminhei sete léguas de estrada,
para ver u'a beleza diferente!                   
Era um branco brilhando ao sol nascente,      
igual nuvem no céu esparramada.
Não se via nem galhos nem ramada,
só o branco cobrindo aquele chão,
era um belo plantio de algodão,
bem cuidado com zelo e com carinho...

Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

Continuei caminhando chão a dentro,
esquecendo do tempo e da vida,
e esquecendo da hora da partida,
já entrara talvez até o centro.
Nesse mar de algodão junto a um rebento,
encontrei, num lugar longe do chão,
um chumaço sedoso de algodão,
acolchoando um repuxo que era um ninho...

Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

Encontrando a saída, vi a estrada
e a curva que eu via ainda menino.
Vi a mão que apontava o meu destino
e um vulto mostrando-me a entrada.
Quase em transe entre a cruz e a espada,
dei um salto e me dei um beliscão!
Tudo aquilo era só imaginação...
Abracei meu cantil e bebi vinho...

Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

Retornei do passeio que fazia,
com a alma lavada e muito leve.
Vi que é fácil vagar inda que breve,
pois viajei ao passado por um dia.
Sete léguas que andei ainda andaria,
nas estradas e curvas desse chão...
Levaria, de todo o coração,
as pessoas que tenho com carinho...

Quando lembro das curvas do caminho,
sinto a voz embargada de emoção.

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